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Cruz sem identificação no cemitério

     Há 105 anos o sul do país se via no começo de um evento grande e trágico: a Guerra do Contestado, guiada pela ganância de governantes e revolta do povo.

      A partir de um grande desentendimento que envolvia disputas territoriais entre o sul do Brasil e a Argentina, no qual a Argentina possuía as terras, porém era habitada por brasileiros, a possível solução para o fim da discussão surgiu: a ligação do estado do Rio Grande do Sul até São Paulo a partir de linhas férreas. Tal acordo cessou a discussão entre países deixando o Brasil com o território, mas por outro lado iniciou a discussão entre estados e cidadãos.

      A Brazil Raiway Company, responsável pela construção das linhas férreas recebeu do governo 15 km de cada lado da ferrovia para uso próprio e para imigração de populações europeias, lugar que já era ocupado por camponeses há muito tempo, os quais tiveram que deixar suas vidas ali e ceder o local para a empresa. A fúria dos antigos moradores que não concordavam com o ocorrido levou a protestos por suas terras, contestando a situação legada aos camponeses que então ocupavam as terras. Junto a esse sentimento de indignação havia ainda a extrema religiosidade desse povo que começa a seguir os passos do terceiro monge dentro da guerra, José Maria De Santo Agostinho se proclamava curandeiro que usava ervas e se tornou um dos líderes dos caboclos. Junto a ele houve muitas tentativas e fracassos de retomar as terras perdidas, as quais estavam sendo exploradas pela Southern Brazil Lumber & Colonization Company, uma madeireira fundada na cidade de Três Barras – SC que estava sendo responsável pelo roubo de madeira e erva mate entre Santa Catarina e Paraná.

 

     Várias batalhas importantes ocorreram a partir dessas motivações, a primeira foi em Irani – SC, uma das mais sangrentas de todas. Foi nessa batalha que duas figuras importantes para a guerra morreram: o monge José Maria, lider dos caboclos e o Coronel João Gualberto, líder das tropas.

"A derrota das forças repercutiu pelo país inteiro, apenas impulsionando mais conflitos, e de imediato foi estabelecido a convicção de que se tratava de uma nova campanha de canudos". (MARINHO, 1987, p.7)

     Sendo guiados por outros líderes, os revoltosos venceram mais algumas batalhas além de Irani, mas em pouco tempo o governo mudou sua estratégia e nomeou Fernando Setembrino de Carvalho como comandante das operações contra os contestantes. Esse optou por cercar os redutos dos fanáticos, espalhados por várias cidades de ambos os estados, com tropas por todos os lados evitando que entrassem ou saíssem da região onde estavam e utilizando essa artimanha como elemento surpresa, já que os rebeldes esperavam um confronto direto. Aos poucos os redutos foram sendo destruídos pelos militares e por desertores. Nesse momento os redutos não viviam mais sob as ordens de um chefe espiritual que fazia das orações sua arma principal e sim por Deodato Manuel Ramos. “Foram necessárias 13 diferentes expedições desde o ínicio das hostilidades para sufocar esse movimento revolucionário sertanejo” (CARNEIRO, 1965, p.21).

 

    Em dezembro de 1915 o último dos redutos dos revoltosos foi devastado pelas tropas de Setembrino. Com a prisão do último líder fugitivo dos caboclos em agosto de 1916 encerrou-se a guerra.

 

     Dois meses depois do fim da guerra foi colocado um fim no assunto territorial entre Santa Catarina e Paraná, que se consideravam meio vencedores e meio vencidos (CONTESTADO, 1987, p.7). O total da área contestada era de 48.000km² e foi dividido com 20.000km² para o Paraná e o restante para Santa Catarina.

     A Guerra do Contestado foi uma das maiores guerras da história do país, durou longos 04 anos (1912-1916) com o total de 20.000 pessoas mortas, 9 mil casas queimadas e 20.000 km² sendo contestados. Embora não seja totalmente descrita em livros e materiais didáticos, sua grandiosidade deixou marcas em pessoas e lugares, evidências que podem ser claramente vistas e vividas atualmente.

Citações retiradas dos seguintes livros:

História das Revoluções Brasileiras. CARNEIRO, Glauco. 1965, p.21

Contestado. 1987. Fundação Roberto Marinho.

João Maria – interpretação da campanha do contestado. CABRAL, Osvaldo Rodrigues.1960. p. 234/235.

A Guerra do Contestado

© 2017 por Ceni Nicole.

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